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SUPLEMENTAÇÃO E FADIGA

Por Prof. Joaquim Ferrari


A possibilidade de se poder de alguma forma melhorar o desempenho, seja ele físico ou mental, sempre foi um assunto que despertou o interesse dos mais variados povos, em função da importância que podem ter os grandes desempenhos atléticos. Desde a antiguidade até os dias atuais, uma série de procedimentos têm sido utilizados com esse fim. Entre eles podemos incluir aqueles populares, como a ingestão de ovos de codorna e cerveja preta, e os de maior requinte, como a utilização de substratos em forma de pó, líquido e gel. A esse conjunto de procedimentos que objetivam melhorar o rendimento, dá-se o nome de recursos ergogênicos.

Em modalidades esportivas cada vez mais competitivas, como as atividades atléticas de longa e muito-longa duração, das quais fazem parte os triathlons e as grandes maratonas, uma massa enorme de competidores pode cruzar a linha de chegada no espaço de poucos minutos ou até mesmo de segundos. Este equilíbrio no desempenho sem dúvida contribuiu para despertar, nos dias de hoje, o interesse pela utilização dos recursos ergogênicos.

Uma série de fatores parece estar relacionada ao bom desempenho esportivo em homens e mulheres. Entre estes, podemos citar as características físicas, psicológicas e fisiológicas essenciais para uma ótima utilização energética, assim como o estado nutricional, determinante na quantidade de energia armazenada e disponível para a contração muscular. O bom desempenho esportivo seria determinado por uma combinação de todos esses fatores.

Apesar da capacidade cada vez maior de realizar trabalho, em todas as atividades e esportes existem limites que não podem ser ultrapassados. No momento em que a capacidade de realizar trabalho diminui, diz-se que o indivíduo encontra-se em estado de fadiga. Como a fadiga, em última análise, é a constatação da incapacidade do indivíduo de manter o ritmo até então empregado por mais tempo, surge aí um desafio para o ser humano, que é entender a fadiga e suas causas e conseqüências.

Essa tentativa de entendimento surtiu alguns efeitos positivos, como os estudos iniciais que deram origem a dieta hiperglicídica (com alto teor de carboidratos) por parte dos atletas de longa duração. Esses estudos foram conduzidos no final da década de 60 por pesquisadores escandinavos. A eficiência dos carboidratos na recuperação das reservas de glicogênio - se utilizado após a atividade - e na melhora do rendimento - quando utilizado durante a realização dos exercícios - parece ser hoje consenso entre os pesquisadores, tendo seu uso se difundido principalmente entre os maratonistas e triatletas. Nas atividades mais curtas e intensas, pesquisas mais recentes tem demonstrado um efeito positivo da utilização de creatina no rendimento.

Tentando caracterizar melhor a fadiga observada nas diferentes atividades, Newsholme e colaboradores, no ano de 1992, propuseram que a fadiga metabólica pode ser explicada por alguns fatores, entre eles o decréscimo nos níveis de fosfocreatina, acúmulo de prótons no músculo, depleção das reservas de glicogênio, diminuição na quantidade de glicose circulante e aumento na razão plasmática triptofano livre/aminoácidos de cadeia ramificada (ACR).

Para cada um desses mecanismos geradores de fadiga foi proposto um procedimento nutricional diferente, com o intuito de se não evitá-la, pelo menos retardá-la. Entre esses procedimentos, encontram-se a utilização de bicarbonato de sódio para evitar a diminuição na acidez provocada pelo excesso de prótons, a utilização de carboidratos nas mais diversas formas, na tentativa de amenizar a redução na glicemia e nas reservas de glicogênio, e mais recentemente, a suplementação com ACR para evitar a queda nas concentrações destes aminoácidos no plasma. Ainda dentro dessa temática, a desidratação, a elevação da temperatura corporal, o aumento nas concentrações de amônia, e a diminuição nas reservas corporais de sódio não devem ser esquecidas, podendo também ser responsáveis por uma possível queda de rendimento.

No próximo artigo daremos continuidade a esse ao assunto interessante e ao mesmo tempo intrigante que é a fadiga.


O Prof. Joaquim Ferrari é Oficial Pesquisador do Instituto de Pesquisa da Capacitação Física do Exército, professor de Fisiologia do Exercício II e III e Medidas e Avaliação I e II da Universidade Estácio de Sá-RJ, e técnico dos Campeões Brasileiros Masculino e Feminino de Duathlon.
Homepage: www.alternex.com.br/~jferrari
E-mail: jferrari@alternex.com.br
Tel.: (0xx21) 241-2581 / (0xx21) 9651-7865

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