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EFEITOS DA SUPLEMENTAÇÃO DE CREATINA

Por Dra. Elizabeth Vilhena

A creatina é atualmente o suplemento nutricional mais comentado dentro das academias e por atletas de várias modalidades esportivas, porque a ela vem sendo atribuído o aumento de massa muscular e melhora da performance.

A ingestão de creatina na dieta fica em torno de uma grama, obtida na alimentação através da carne vermelha e do peixe ou sintetizada no fígado, pâncreas e rins com a utilização de aminoácidos como arginina, glicina e metionina.

Um homem de 70 kg possui 120g de creatina, sendo que 95% é encontrada nos músculos esqueléticos (creatina livre) e 60% dessa creatina está na forma de fosfocreatina (PCr) que é um composto classificado como fonte altamente energética para atividades de alta intensidade e curta duração (corrida de 100m, levantamento de peso, natação 25m, voleibol, futebol e salto com vara).

A creatina é uma amina nitrogenada que após ser catabolizada é excretada na urina, na forma de creatinina. Perde-se aproximadamente 2g de creatina na urina. A concentração de creatina nas fibras musculares é de 125 m mol/kg de tecido e com limite de 150 a 160 m mol/kg de tecido (Greenhaff et al.). O atleta ou praticante de atividade física contra-resistência intensa, que com a utilização de suplementação consegue aumentar o total de creatina nas fibras musculares em 20 m mol/kg de tecido, pode aumentar a ressíntese durante a recuperação (Greenhaff et al., 1994).

Na prática, Casey et al., 1996, sugere que o benefício da suplementação estaria relacionado ao aumento de creatina dentro das fibras musculares e dificilmente uma pessoa com concentração próxima ao valor limite teria melhora em sua performance em provas de longa duração e resistência aeróbica.

Existe um limite de creatina corporal e acima desse limiar ela não será armazenada no músculo. Entretanto, esse aumento da disponibilidade de creatina pode aumentar a concentração renal e provocar retenção de líquidos, aumentando "peso morto".

A fosfocreatina tem papel importante em exercícios intermitentes, isto é, aqueles nos quais as contrações intensas são intercaladas por períodos de repouso. Assim sendo, na musculação pode-se obter algum benefício (Volek et al. e Kreider et al.).

Juhn e Ternopolsky descreveram em suas pesquisas que o aumento da força muscular, com a suplementação de creatina, é decorrente da síntese de proteínas miofibrilares. Parece-nos que o processo de hipertrofia provocado pela creatina é indireto, pois se a suplementação leva a aumento da potência muscular e retarda a fadiga, o treino é cumprido de forma eficiente. Contudo, pesquisas continuam sendo feitas sobre o real potencial da creatina. Por outro lado, o efeito colateral registrado, até o momento, é a retenção hídrica o que conseqüentemente leva ao aumento do volume muscular.


A Dra. Elizabeth Vilhena é nutricionista e psicóloga, especializada em nutrição clínica e esportiva e consultora do Jornal do Brasil, de O Globo e de academias no Rio de Janeiro.
Homepage: www.nutri.ntr.br
E-mail: evilhena@openlink.com.br

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