SUPLEMENTAÇÃO DE AMINOÁCIDOS E EXERCÍCIOS DE ENDURANCE
Por Prof. Joaquim Ferrari
A utilização de aminoácidos como recurso ergogênico, ou seja, como meio de auxílio na melhora do rendimento, está cada vez mais difundida no meio esportivo. Entre os supostos benefícios se encontrariam o ganho de massa magra e força em atletas que realizam exercícios de curta duração e/ou com grande participação desses componentes.
Entretanto, apesar do uso ter se difundido mais nos atletas com esse perfil, os praticantes de exercícios de longa duração é que parecem ter um maior requerimento protéico. Esse fato se daria em virtude da grande demanda calórica desses atletas o que acabaria gerando um aumento na participação das proteínas no fornecimento de energia.
Fica a pergunta no ar: os atletas precisam de mais proteínas que os indivíduos sedentários?
Diferentemente dos carboidratos, que são estocados no músculo e fígado sob a forma de glicogênio muscular, o corpo humano não dispõe de reservatórios de proteínas, de forma que um aumento na ingestão de proteínas além do necessário para atender as necessidades daquele momento específico não necessariamente se traduz em ganho de massa muscular e melhora da performance, mas sim a um aumento da sua utilização como fonte de energia. Desta forma, a utilização de aminoácidos isolados e proteínas deve a princípio ser feita durante ou imediatamente após a prática dos exercícios já que nesse momento parece haver um aumento nos requerimentos através de, um incremento na participação das proteínas no fornecimento de energia durante e um aumento na síntese protéica após os exercícios como demonstrado em alguns estudos.
Num estudo realizado por um grupo de pesquisadores da universidade de Oxford (Blomstrand et al, 1988), 22 maratonistas foram avaliados antes e depois da maratona de Estocolmo quanto as concentrações plasmáticas de quatro aminoácidos, Leucina, Isoleucina, Valina os chamados BCAA e o Triptofano. Os BCAA, diferentemente do triptofano apresentaram concentrações mais baixas após o término da competição, e como esses mesmos aminoácidos, fazem parte de um seleto grupo de 6 aminoácidos que podem ser metabolizados pelo músculo, e o metabolismo muscular sofre um aumento muito grande nesse momento estes resultados sugeriram a possibilidade desses aminoácidos terem uma participação mais ativa no fornecimento de energia durante a atividade física prolongada. Um outro aspecto importante, é que a relação entre os níveis de BCAA Triptofano parece levar ao surgimento da fadiga central quando as concentrações de BCAA estão diminuídas e as de Triptofano aumentadas. Desta forma, o que aconteceria se durante a realização da atividade os atletas fossem suplementados com BCAA? Foi exatamente esse o experimento realizado por pesquisadores do mesmo grupo(Blomstrand et al, 1991). Os atletas foram submetidos a uma maratona e suplementados com BCAA e pelo menos para os atletas mais lentos, a suplementação de BCAA exerceu um efeito positivo ou seja, provocou uma melhora nos tempos.
Um outro aspecto que não deve deixar de ser considerado, é que quando realizada após a atividade, a suplementação de aminoácidos e proteína, aliada a ingestão de carboidratos parece promover uma recuperação acelerada das reservas de glicogênio muscular, um aspecto muito importante quando se trata de atletas de triathlon e maratona, que freqüentemente se submetem a duas ou mais sessões de treinos diários. Alem disso, a suplementação pós treino, aumenta a quantidade de aminoácidos disponíveis para a realização da síntese protéica muscular que em outras palavras poderia ser descrita como construção muscular e que se encontra aumentada logo após a atividade.
Apesar de não serem descritos efeitos colaterais perigosos, a suplementação deve ser sempre criteriosa e realizada de acordo com as necessidades individuais de cada atleta. A não atenção a esses cuidados pode levar a um gasto financeiro desnecessário e um aumento da produção de amônia entre outros.
O Prof. Joaquim Ferrari é Oficial Pesquisador do Instituto de Pesquisa da Capacitação Física do Exército, professor de Fisiologia do Exercício II e III e Medidas e Avaliação I e II da Universidade Estácio de Sá-RJ, e técnico dos Campeões Brasileiros Masculino e Feminino de Duathlon.
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Referências:
Blomstrand E, Celsing F, Newsholme EA (1988) Changes in plasma concentrations of aromatic and branched-chain amino acids during sustained exercise and their possible role in fatigue. Acta Physiol Scand 133: 115-121
Blomstrand E, Hassmén P, Ekblom B, Newsholme EA (1991) Administration of branched-chain amino acids during sustained exercise - effects on performance and on plasma concentration of some amino acids. Eur J Appl Physiol 63: 83-88
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