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MARATONAS AQUÁTICAS

Por Igor de Souza

O que são maratonas aquáticas? Ou águas abertas? No Brasil estamos apenas engatinhando neste esporte, que é muito conhecido na Europa e América do Norte.

Maratonas aquáticas são simplesmente provas de natação fora das piscinas, ou seja, em represa, rio, mar, lago, etc. Na verdade, a natação surgiu após as maratonas: as primeiras competições foram realizadas no mar, uma travessia de uma baia a outra. Em 1896, na primeira olimpíada dos tempos modernos, as provas de natação foram realizadas no mar, e só com o passar dos anos foram criadas as piscinas, com as quais se podia padronizar as distâncias e assim estabelecer marcas e recordes. Com o passar dos anos, as maratonas aquáticas acabaram virando um ícone de desafio: atletas querendo superar limites, desafiar a natureza, etc.

A travessia mais conhecida do mundo, e também a mais difícil, é o do Canal da Mancha, um estreito de mar que separa a Inglaterra da França. Esta prova surgiu de uma aposta entre marinheiros ingleses, que consideravam impossível cruzar o Canal. Um jovem capitão inglês de nome Mathew Webb foi o primeiro nadador a cruzá-lo, e a partir deste feito muitos outros atletas iniciaram uma série de travessias através do mundo.

Mas o que difere o nado de piscina do nado de maratonas aquáticas? Muito pouco. Basicamente é o nado crawl, com uma pequena alteração no estilo: os braços fora d'água ficam mais estendidos nas travessias. A maior diferença é o fator desafio, as travessias são um esforço solitário, onde o atleta terá que ter um controle mental para suportar as dores físicas e as adversidades da prova, como ondas, ventos, correntes em contra, etc. E por incrível que pareça, são estas adversidades que atraem mais e mais atletas, pois ao final de uma travessia, independente da colocação alcançada, todo atleta sente o prazer da conquista.

Me recordo que quando tinha 7 anos, fui convidado a nadar a travessia chamada São Paulo à Nado, que era realizada na represa Billings, em São Bernardo do Campo, em uma distância de 1.500 metros. Naquela época, já treinava em uma equipe, e meus treinos diários eram superiores a 3.000 metros, portanto, teoricamente seria fácil fazer a travessia. Mas ao contrário do que parecia, estava muito nervoso e com receio de não conseguir. Consegui terminar a prova, e me lembro que fiz à pé todo o percurso nadado, só para "sentir" a minha conquista - não me importava em que colocação ficara, o importante era o que havia conquistado...

Essa mesma sensação é sentida pelas centenas de atletas que, a cada ano, participam de uma travessia - e muitos utilizam as maratonas aquáticas como um aprendizado para a vida. Enfrentam os treinamentos, a ansiedade e o medo antes da travessia, a solidão e as dores musculares durante a prova, e o prazer da conquista ao final dela. É claro que para se fazer uma travessia é preciso ter uma orientação específica com profissionais especializados, e preparar-se adequadamente. Nos próximos artigos estaremos falando um pouco mais desta preparação.

Até breve, e bons treinos!!


Igor de Souza é Campeão Mundial de Maratonas Aquáticas, recordista Pan-americano do Canal da Mancha, técnico da Seleção Brasileira e Diretor de Maratonas Aquáticas da CBDA.
E-mail: igor@maratonaaquatica.com.br


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